ANEXO
I
INDICAÇÕES CLÍNICAS PARA
UTILIZAÇÃO DE VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA EM PORTADORES DE DISTROFIA MUSCULAR
PROGRESSIVA
1-
Introdução
A
Distrofia Muscular Progressiva engloba um grupo de doenças genéticas que se
caracterizam por uma degeneração progressiva do tecido muscular. Até o
presente momento, tem-se conhecimento de mais de trinta formas de distrofia
muscular. A forma mais freqüente e mais grave é a do tipo Duchenne, cuja incidência
média é de 1 cada 3.500 nascidos do sexo masculino.
Na
distrofia muscular o recém-nato é aparentemente normal. Entre os 3 e 4 anos de
vida o paciente apresenta dificuldade para subir escadas, correr e quedas freqüentes.
Com a evolução da doença as limitações vão crescendo a ponto de, em torno
dos 10 a 12 anos de vida, o paciente ficar incapacitado de andar, necessitando
do uso de cadeira de rodas. Na progressão da doença outros grupos musculares vão
sendo atingidos como os dos membros superiores, coração e musculatura respiratória.
Na
Distrofia Muscular de Duchenne uma insuficiência respiratória restritiva
desenvolve-se na adolescência, no período que se segue à perda da capacidade
de andar, ocasionando perda progressiva da capacidade vital. A falência
respiratória é a causa de morte em cerca de 80% dos pacientes, devendo-se à
disfunção da musculatura respiratória acessória, incluindo os músculos
intercostais, os abdominais e, principalmente, o diafragma.
Estudos
recentes demonstram que a ventilação nasal intermitente de pressão positiva (VNIPP),
com o auxílio de ventiladores volumétricos do tipo BiPAP (bilevel positive
airway pressure), não apenas retarda a perda da capacidade vital como pode evitá-la.
Isso significa que a VNIPP retarda ou impede a progressão da insuficiência
respiratória, não apenas melhorando a qualidade de vida, mas também a
expectativa de vida. Os benefícios do suporte ventilatório são extremamente
importantes, determinando, não raro, de forma dramática, a mudança para
melhor da vida dos portadores de doenças neuromusculares.
A utilização de suporte ventilatório nos pacientes portadores de Distrofia Muscular Progressiva deve ser adequadamente avaliada e indicada, devendo-se para tanto considerar os critérios para sua indicação estabelecidos no presente ato.
2-
Critérios Clínicos de Indicação
Deve
ser avaliada clinicamente a evolução da disfunção respiratória do paciente.
O agravamento das condições respiratórias, traduzido por fadiga, dispnéia e
cefaléia matinal, é sugestivo de uma possível necessidade de suporte ventilatório.
A estes critérios clínicos deve-se acrescentar, pelo menos, um dos critérios
fisiológicos abaixo descritos.
3-
Critérios Fisiológicos
A
presença de apenas um destes critérios já se constitui em indicação de uso
de ventilação não invasiva.
a-
PCO2 maior ou igual a 45 mmHg;
b
- Oximetria noturna demonstrando saturação de oxigênio menor ou igual a 88%,
por 05 minutos consecutivos;
c
- Pressão inspiratória máxima menor que 60 cm de água;
d
- Capacidade Vital Forçada menor que 50% do predito.
4-
Utilização de Ventilação não invasiva
Nos
casos em que a ventilação não invasiva esteja indicada, a mesma, a critério
médico, poderá se fazer necessária apenas no período noturno, momento em que
são observadas inicialmente as alterações decorrentes da dessaturação.
Com
a evolução da doença e a progressiva queda da capacidade vital, a necessidade
de utilização do suporte ventilatório poderá se estender ao período diurno.
Segundo
a Muscular Dystrophy Association, a ventilação deverá se estender para as 24
horas do dia quando a Capacidade Vital Forçada for menor que 30% do predito.
Nestes casos a traqueostomia poderá ser considerada.
5-
Bibliografia:
1
- Clinical Indications for Noninvasive Positive Pressure Ventilation in Chronic
Respiratory Failure Due to
Restrictive Lung Disease, COPD, anda Nocturnal Hypoventilation – A Consensus
Conference Report (Chest 1999; 116:521 – 534);
2
- Impact of Nasal Ventilation on Survival in Hypercapnic Duchenne Muscular
Dystrophy. A K Simonds, F Muntoni, S Fielding (Thorax 1998; 53:949 – 952).
3
- Muscular Dystrophy Association – Breathe Easy. Respiratory Care for Children
With Muscular Dystrophy.